08 de Janeiro de 2019Rodrigo Fernandes - Fenae684 Visto

Presidente da Caixa reafirma planos do governo para fatiar o banco

 

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, tomou posse nesta segunda-feira (7), em Brasília (DF). Como havia dito em entrevista no dia 1º, após a posse do presidente Jair Bolsonaro, reafirmou que uma das prioridades é vender participações em empresas controladas, o que significa fatiar o banco. Segundo ele, esse será o caminho para que a Caixa devolva ao Tesouro Nacional R$ 40 bilhões recebidos nos últimos anos como aporte.

“Nenhum banco privado pode ter. Se eles não podem ter, a gente tem que pagar. Tem quatro anos para pagar, e nós faremos isso via venda de participações em empresas controladas - seguros, cartões, assets e loterias. E já começa agora, pelo menos duas nesse ano, e gostaria muito da participação dos funcionários, que é fundamental”, afirmou Pedro Guimarães, durante a cerimônia no Palácio do Planalto.

O presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, reforça: os planos do governo estão claros e são para enfraquecer e fatiar o banco. “Esses R$ 40 bilhões foram usados para ampliar o crédito, ou seja, foram investidos no desenvolvimento do país. Além disso, a Caixa não pode ser comparada aos privados, pois tem um papel social pelo qual Itaú, Bradesco e Santander não se interessam. Isso é ignorar a importância da instituição para o Brasil e os brasileiros. É por isso que frisamos que não tem sentido enfraquecer e privatizar a Caixa”, diz.

Dionísio Reis, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) e diretor da Fenae, tem a mesma opinião. “O aporte de recursos na Caixa cumpre tarefa de Estado e não deveria formar dívida. É diferente do banco privado, que se apropria da riqueza das pessoas e paga em dividendos aos rentistas. A Caixa, na sua imensa magnitude, está presente onde os bancos privados não tem interesse em atuar e cumpre papel social fundamental. Esses R$ 40 bilhões não podem servir de justificativa para o fatiamento e privatização”, defende.

Mais juros para a classe média

O novo presidente da Caixa também declarou que clientes de classe média vão pagar juros de mercado no financiamento habitacional da Caixa. “Quem é classe média tem que pagar mais. Ou vai buscar no Santander, no Bradesco, no Itaú. Na Caixa Econômica Federal, vai pagar juros maior que Minha Casa Minha Vida, certamente, e vai ser juros que vai ser de mercado. Caixa vai respeitar acima de tudo mercado. Lei da oferta e da demanda", explicou. Questionado se os custos do financiamento à casa própria serão elevados, Pedro Guimarães respondeu: “depende”.

Dionísio Reis observa que, mais uma vez, Guimarães ignora o papel da instituição 100% pública. “Em 2008, bancos públicos, com especial destaque para a Caixa, foram fundamentais para atravessarmos a crise internacional sem maiores problemas, barateando o crédito, o que forçou a queda de juros também no sistema privado. Agora, em vez de atuar estrategicamente para a baixa dos juros no sistema financeiro como um todo, vai incorporar a lógica do mercado privado, com intenção de esvaziar a Caixa e enviar recursos cada vez maiores para os bancos privados ”, avalia.

Desrespeito aos empregados

Nesta segunda-feira (7), a Fenae divulgou nota em que repudia as declarações de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes, durante a posse dos presidentes dos bancos públicos. Para a entidade, ambos desrespeitaram os empregados da Caixa, da ativa e aposentados, e a instituição, que vai complementar 158 anos no próximo sábado, 12 de janeiro. O ministro da Economia afirmou que o banco “foi vítima de saques, fraudes e assaltos aos recursos públicos”. Já o presidente da República pontou que agora o dinheiro de Caixa, Banco do Brasil e BNDES agora é “do bem”.

A nota da Fenae observa: “Sem dar detalhes sobre esse tipo de denúncia, o que eles fazem é colocar sob suspeição a atuação do banco e, claro, todo o quadro de pessoal”. E sentencia: “O que se busca claramente hoje é macular a imagem da Caixa, a fim de obter o apoio necessário à onda de privatizações que se aproxima. O banco da habitação, do FGTS, das loterias, do saneamento, da gestão de programas sociais, enfim, de todos os brasileiros, dever ser fortalecido. Não pode ser enfraquecido e fatiado”.